Primavera x Alergias

A primavera já chegou e vem deixando as cidades mais floridas e bonitas. Mas, enquanto a beleza e o aroma das flores se espalham, muitas pessoas começam a sofrer os efeitos negativos da estação mais colorida do ano. O período, segundo o médico Marcio Freitas, é bastante problemático para quem possui doenças como a rinite alérgica. 

O otorrinolaringologista explica que a presença de mais pólen no ar, devido à floração das plantas, causa sintomas inconvenientes e que merecem atenção redobrada por parte dos pacientes. Além disso, como a região possui altos índices de umidade no ar, também é registrado um significativo aumento de casos de rinite alérgica a ácaros, principal componente da poeira doméstica. 

De acordo com Freitas, em geral, quem é acometido pela doença apresenta sintomas como coceira no nariz e olhos, secreção nasal transparente, espirros e obstrução nasal. Para minimizar esses problemas, ele sugere que se diminua a exposição aos agentes agressores. Uma maneira simples de fazê-lo é limpar a casa sempre com pano úmido, ao invés de utilizar vassoura ou aspirador de pó, pois ambos espalham as partículas causadoras da alergia pelo ar. Carpetes, tapetes, cortinas de tecido e bichos de pelúcia também devem ser evitados. 

Conforme o médico, a rinite alérgica requer cuidados, por isso, assim que os primeiros indícios aparecem, um especialista precisa ser consultado. “É uma doença crônica e com o uso da medicação adequada, como antialérgicos e sprays nasais, pode-se controlar todos os sintomas”, explica. Ele ainda esclarece que a automedicação, muito comum nesses casos, tende a trazer diversos prejuízos à saúde dos pacientes. 

Rinite Alérgica

O nariz é um dos componentes do sistema respiratório, sendo o primeiro lugar onde passa o ar até alcançar os pulmões. Ele é responsável pela limpeza, umidificação e aquecimento do ar inspirado.
Para exercer essa função corretamente, o nariz possui um complexo mecanismo de defesa. Por isso; ao entrar em contato com algum agente agressor como vírus, bactérias ou substâncias tóxicas ; desencadeia uma resposta para impedir que essa substância alcance os pulmões. O surgimento da obstrução nasal provoca o bloqueio da passagem do agente agressor e através dos espirros e coriza ocorre remoção dessa substância. Essa reação é normal e ocorre em todas as pessoas.
Alergia, na realidade, não significa falta de defesa do organismo. Ao contrário, indica uma defesa exagerada contra agentes que não são potencialmente agressivos ao ser humano. Ou seja, uma pessoa alérgica é hiperreativa a determinadas substâncias que numa pessoa normal não despertam nenhuma resposta.
O sistema imunológico das pessoas alérgicas, por características genéticas, interpreta que determinada substância é tóxica, e que precisa proteger o organismo contra sua entrada. Por essa razão, algumas pessoas convivem normalmente com fatores que causam a alergia, como a poeira de casa, sem ter sintomas, ao passo que outras pessoas, ao entrarem em contato com essa mesma poeira, podem ter rinite e asma.
O paciente alérgico não nasce com alergia, mas sim com a capacidade de ficar sensível a determinado fator, sendo os mais comuns a poeira doméstica, pólen, pelo de animais e outros.
Essa característica pode ser herdada dos pais. Quando um homem e uma mulher alérgicos tem um filho, a probabilidade dessa criança ser alérgica é de cerca de 50%. No entanto, mesmo que nenhum dos pais apresente alergia, a criança ainda assim pode ter manifestações alérgicas, como rinite, conjuntivite (nos olhos), asma e alguns tipos de alergia de pele. A forma mais comum, porém, é a rinite. Cerca de 10% a 25% das pessoas sofrem de rinite alérgica.


Sintomas da rinite alérgica


Os sintomas que os pacientes portadores de rinite alérgica apresentam são obstrução nasal (entupimento), coriza, espirros e coceira no nariz. Essa coceira pode ser na garganta ou nos olhos.
Todos os doentes apresentam tais sintomas minutos após o contato com a substância, e cerca de metade deles terão novamente sintomas cerca de 4 a 6 horas depois.
A rinite alérgica, quando descompensada, vai deixar o paciente mais sensível a infecções de vias aéreas como sinusite, gripes, amigdalites, otites (infecção nas orelhas) e pneumonia, por alterar o mecanismo defesa do nariz, por isso a importância de trata-lo adequadamente.
Causas da rinite alérgica
Poeira, pólen, pelo de animais e alguns alimentos são substâncias que podem causar  alergia. Aqui no Brasil a poeira doméstica é o fator de risco mais importante. Ela é constituída por descamação da pele humana e de animais, por restos de pelos de cães e gatos, restos de barata e outros insetos, fungos, bactérias e por ácaros, organismos microscópicos da família dos aracnídeos.
Existem vários tipos de ácaros. Entre todos, o que mais frequentemente está relacionado com a alergia é o Dermatophagoides ssp., nome que significa “aquele que se alimenta de pele”, visto que uma de suas fontes de alimentos é a pele descamada.​

No colchão de nossas camas e nos móveis estofados de nossas casas, podem acumular-se muitos fragmentos de descamação de pele. Exatamente por essa razão, nesses locais, é grande a quantidade de ácaros, aracnídeos que vivem nas camadas profundas dos tecidos.
Tratamento da rinite alérgica
O tratamento dos pacientes portadores de rinite alérgica é composto por três pontos:
Higiene ambiental;
Tratamento medicamentoso;
Vacinas antialérgicas.
Higiene ambiental
A forma mais simples de tratar alergia é evitar o contato com a substância que desencadeia os sintomas.
O problema é que não é tão fácil evitar o contato com o ácaro. No entanto, algumas medidas simples podem ser adotadas para diminuir a proliferação desses insetos.
- Limpar a casa frequentemente utilizando pano úmido.
- Não usar vassoura e espanador de pó, pois apenas espalham o pó pelo ambiente.
- Não usar aspirador de pó, poisos seus filtros não seguram o ácaro e espalham os ácaros para o ambiente.
- Remover carpetes, cortinas, tapetes, bichos de pelúcia, almofadas dos ambientes em que os portadores de rinite vivem.
- Evitar o uso e contato com travesseiros e almofadas de penas.
- Utilizar capas protegendo os colchões e travesseiros.
- Deixar os ambientes ventilados e que tomem sol.
- Pode-se passar com ferro quente os colchões e travesseiro, pois auxilia a eliminar os ácaros.
- Evitar o contato com substâncias capazes de irritar o nariz. Perfumes, produtos de limpeza, produtos para deixar os ambientes com odor agradável, fumaça de cigarro, tintas, inseticidas e poluição.
- Fatores como as mudanças bruscas de temperatura, frio e umidade do ar são igualmente prejudiciais aos doentes com rinite alérgica.


Tratamento medicamentoso


Existem dois grandes grupos de drogas que podem ser usadas. Um tipo funciona preventivamente e outro apenas alivia os sintomas. Do ponto de vista farmacológico, dispomos de descongestionantes, anti-histamínicos, estabilizadores de membranas e corticosteroides.
Cada uma dessas drogas atua de forma diferente, e nenhuma é isenta de efeitos colaterais que, algumas vezes, podem ser graves. Por isso, o ideal, é não realizar automedicação e procurar seu médico.


Vacinas antialérgicas (Imunoterapia)


Quando a higiene ambiental e medicamentos falham no controle da rinite alérgica, pode-se associar o uso de vacinas antialérgicas. Esse tratamento é longo (no mínimo 3 anos), porém, quando feito corretamente, diminuí a sensibilidade do doente àquela substância ao qual era alérgico. Muitas vezes, chegamos ao ponto em que não há mais necessidade do uso de medicamentos.